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Postagens

Os Filhos

  — Como uso isso? — disse Pedro. Os demais ligaram o dispositivo, preparando-se. — Você só precisa escolher um dos botões — disse um homem ao lado. — Só não pressione todos de uma vez. Mas Pedro não ouviu. A largada foi dada. “Ficarei para trás se não tentar.” Pressionou o primeiro botão. Sentiu um forte impulso. Seu corpo foi lançado como um foguete. Afastou-se dos demais e foi em direção a uma rua sem saída. — O que veio fazer aqui? — Um velho gordo e careca aproximou-se dele. — Ela te aguarda. — Quem? — indagou Pedro. — Lá — apontou para a casa abaixo. Ele saiu em direção à casa. Bateu à porta e aguardou. Uma mulher alta e bela o recebeu. — Você demorou. Estou entediada — disse a mulher, servindo um copo de conhaque, que ele recusou. — Você... Que maçante. — Quem falou sobre mim? — Isso não importa — disse a mulher. — Não sou normal, entende? — Entendo. — Me acompanhe. — Ela o segurou pela mão e o levou até uma banheira de espuma. — Entre — disse ela. — Não imagine...
Postagens recentes

Zé Gotinha

—  NÃO QUERO, Cecéu, por favô, por favô!  —  Anda logo, Pedro! Senão seguro seu pé para elas subirem.  — Diz vó que se ela gruda, num solta — disse Roberta, enquanto se ensaboava e dava espaço para que a tia lavasse os pés do irmão. — Só quando truveja — confirmou Maria Cecéu. Ela preparava os irmãos para a creche.  — Vai, fica onde tava a Berta. Ali elas não sobem, Ligero! — disse, dando um empurrão em Pedro, que cedeu e subiu no batente.  Ele girou o registro, sem maçaneta, e sentiu as primeiras gotas caírem do cano enferrujado. A água fria já não incomodava. Molhou-se num pulo e deu lugar à irmã. — Isfrega bem esse pé preto — disse Maria, entregando-lhe o sabonete.  Quando Roberta saiu do banheiro, a tia apressou Pedro. Ele se ensaboava sem prestar a mínima atenção ao que ela dizia. Olhava para o ralo. — Xami-xuga! — gritou, paralisado.    Emaranhadas em fios de cabelo unidos por uma crosta de sujeira, as sanguessugas começaram a sair...

A coisa

  O nome Izabela Lavagetti aparecia na listagem dos promovidos na tela em frente a Pedro. Ele cuspiu, sentiu um gosto terrível em sua boca, algo lhe queimava de dentro para fora e ele respirava com dificuldade. Ele se encolhia física e internamente, falava o mínimo possível, no tom mais baixo que podia, quase inaudível. Em verdade, era necessário fazer leitura labial para entender o que ele dizia. Expirar lhe custava, temia que aquela coisa se espalhasse. Ao recordar o riso exagerado, não conteve a sua ira:   — Dentes de cavalo! — sussurrou.   Pela manhã, acordou bem disposto, por fim divulgariam a lista dos promovidos. Se barbeou, vestiu sua melhor roupa e antes de sair tirou uma selfie que enviou para Bruna. Como chovia muito seu ônibus demorou mais que o habitual. Quando ele finalmente passou, Bruna havia visualizado a sua foto, porém nada disse. Durante a viagem, embora ele checasse o status a cada minuto, sua mensagem seguia sem retorno. Ele desejava vê-la...

Jovem Senhorinha

Pedro foi até a clínica com o intuito de desfazer um mal-entendido, afinal eram vizinhos de apartamento e, por cortesia, trocavam algumas palavras durante os passeios de Chico e Kira.   Ele conhecia bem os horários e o trajeto feito por ela e intuitivamente organizava seus horários de modo a cruzarem-se.  Quando chegou à clínica, deu-se conta de que não sabia sequer o nome completo dela. Tampouco ela havia avisado ao veterinário que ele iria. Em uma das breves conversas durante um passeio, ela apenas lhe indicara o local.  Certa vez, ao elogiar a pelagem de Kira, ela mencionou o perfil da loja, mas não informou o número. Isso frustrou, ao menos a princípio, os planos de Pedro de obter seu contato. Após uma busca minuciosa, ele encontrou o seu número por meio de um elogio deixado por ela na página da clínica veterinária. Ele a reconheceu pela foto. Uma minúscula thumbnail e um nome bastante comum. Quando o veterinário lhe disse que não conhecia nenhuma Ana e que,...